A mesa de debate ‘A questão das drogas e o racismo à brasileira: e sao quase todos pretos?’ vai marcar, nesta sexta-feira, 7 de julho, a partir das 13h, a segunda plenária estadual do Observatório Popular de Políticas sobre Drogas – OPPD Racial, na cidade do Rio de Janeiro. O evento acontecerá na Auditório Adauto Belarmino, no prédio da Central do Brasil, no centro da capital fluminense.

Marcarão presença nomes como os deputados estaduais Marta Rocha e Waldeck Carneiro, a diretora de Igualdade Racial da OAB-RJ, Ivone Caetano, o presidente do CEDINE, Luiz Eduardo Negrogun, o coordenador do OPPD Racial, Marcos Rezende, o secretário​ estadual de Direitos Humanos, Átila Nunes, e os representantes do Redes da Maré, Henrique Gomes e Thaís Custódio, entre outros figuras importantes para os debates racial e de direitos humanos.

Uma outra atividade de teor semelhante está marcada para acontecer no Complexo da Maré, também na capital fluminense, nesta quinta-feira, dia 6. O evento acontece entre 18h e 21h, na Rua Sargento Silva Nunes, nº 1012, Nova Holanda.

CONCEITO

O Observatório Popular de Políticas sobre Drogas – OPPD Racial é uma iniciativa desenvolvida pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade nacional do movimento negro, e apoiada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), além da Open Society Foundations. O objetivo da ação é mapear as políticas públicas sobre drogas nos 13 estados das regiões Sudeste e Nordeste.

O Sudeste foi escolhido para receber as plenárias populares do observatório por ser a região onde estão as maiores facções de tráfico de drogas do país. Já o Nordeste possui os estados onde mais crescem a morte de jovens negros.

A afirmação é baseada no Mapa da Violência. Segundo dados do estudo, o ano de 2014 registrou 59.627 mil homicídios no Brasil, um aumento de 21,9% em 10 anos, tendo em vista que, em 2004, foram 48.909 óbitos.

Ainda conforme o documento, o nordeste tem o maior índice de ampliação de mortes nessa série histórica de 10 anos (entre 2004 a 2014). Os seis estados do país com crescimento de mortes superior a 100% na taxa de homicídios são da região: Rio Grande do Norte (308%), Maranhão (209,4%), Ceará (166,5%), Bahia (132,6%), Paraíba (114,4%) e Sergipe (107,7%).

A coordenadora do CEN no Rio de Janeiro, Deusimar Oliveira, conta que o levantamento das políticas será feito em plenárias populares nas 13 capitais dos estados selecionados. Nesses espaços, além de levantar informações para a plataforma digital que será apresentada como produto final do projeto, o objetivo é que se forme uma rede de ativistas negros que debatem o tema localmente.

“Nós queremos que isso vá sendo propagado, que essas pessoas, com essa iniciativa, recebam subsídios para continuarem atuando sobre essa questão que afeta tanto a população negra, sobretudo os jovens que são assassinados e encarcerados”, afirma Deusimar.

A ideia central, detalha a advogada, ativista de defesa dos direitos humanos e coordenadora técnica do projeto, Anhamona de Brito, é que todo o conteúdo sobre o tema levantado nos estados resulte em uma plataforma digital colaborativa que consiga dimensionar a real situação dessas regiões brasileiras dentro da questão das drogas.

Quando estiver no ar, essa ferramenta digital receberá informações sobre o tema por diferentes fontes e pessoas interessadas, como estatísticas, projetos, leis, iniciativas de ativistas, entre outras contribuições, que serão avaliadas pelos pesquisadores do projeto e aberta ao acesso público.

O resultado desse mapeamento será apresentado entre os dias 8 e 10 de dezembro, na capital baiana, em um grande seminário internacional que reunirá ativistas e autoridades no debate sobre drogas para formar um comitê de governança do projeto, responsável por dar encaminhamentos às informações colhidas. No dia 10, é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

SOBRE O CEN

O Coletivo de Entidades Negras (CEN) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de garantir direitos para as populações negras em seus múltiplos contextos e dimensões.

Criado em 20 de abril de 2003, o CEN conta com uma rede de filiados que compreende pessoas físicas e jurídicas, estando presente em 23 municípios baianos e em 17 estados brasileiros. Suas ações têm como público-alvo indivíduos que vivem em situação de vulnerabilidade, excluídos do mercado de trabalho, com baixa escolaridade e sem perspectivas de inserção social.

Entre as missões do CEN, está o combate às desigualdades raciais, o racismo e outras formas de violências e discriminação; defender os direitos e interesses dos povos de terreiro e comunidades quilombolas; preservar e fortalecer a cultura negra brasileira e africana e seu legado civilizatório; além de contribuir com propostas, soluções e alternativas para a melhoria da qualidade de vida da comunidade negra brasileira.

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